Um amigo meu me explicou certa vez uma teoria bastante interessante:
“O ser humano é egoísta por natureza. E estará sempre pensando nele”( as palavras não foram exatamente estas, mas o conceito é o mesmo).
Bem, “grande novidade”, você provavelmente deve ter dito, ironicamente, se você é de uma linha de pensamento mais, digamos, na falta de palavra melhor, pessimista. Por outro lado, se você for do grupo que tem um pouco mais de fé no homem como organismo social, deve ter discordado veementemente. Mas, deixe-me continuar.
São comuns as discussões de que o homem age sempre em benefício próprio, não se importa com o próximo, é puramente egoísta. Tais argumentos são fortemente rebatidos, com afirmações de que há pessoas caridosas, benevolentes, altruístas, preocupadas com as necessidades alheias, etc. . Creio haver vários esclarecimentos a serem feitos sobre o assunto.
Primeiramente, agir pensando apenas em si mesmo não implica necessariamente em agir “mal”. O próprio conceito de mal é discutível , mas tomemos apenas a premissa de que agir mal é agir de modo a prejudicar alguém, seja a si mesmo ou a outrem. Assim, numa situação em que você agiu apenas pensando no próprio conforto, e não causou prejuízo a ninguém, não houve uma ação má (mesmo que isto se deva talvez mais ao acaso do que à sua vontade).
Em segundo lugar, agir pensando no próximo não implica em sua ação não ser egoísta. E é este o ponto principal da teoria que o meu referido amigo me apresentou. A idéia é a seguinte:
Digamos que você encontra um grande amigo seu chorando. Obviamente a sua primeira ação é ampará-lo, tentar com que, de algum modo, ele sinta-se melhor. Assim, você escuta seu problema, conversa, aconselha, distrai-lhe, dedica seu tempo a ajudá-lo. É visivelmente uma ação bondosa, altruísta. Mas pense. Por que você fez isso?
“Ora, porque gosto dele!” ou “ Porque quero vê-lo bem!”, ou ainda “ Porque não agüento ver ninguém chorar”. Ou seja, na verdade você estava pensando em si mesmo o tempo todo! Explico. Intrinsecamente, inicialmente, a força motora de suas ações foi proporcionar o seu próprio bem estar. Ver seu amigo mal é desconfortável para você. Assim, “vê-lo bem” é uma necessidade sua! Você de fato consegue fazê-lo sentir-se melhor, faz um bem a ele, mas foi uma atitude totalmente egoísta!
Essa é a originalidade. É uma teoria que admite as ações caridosas do ser humano, mas aponta uma outra razão, egoísta, para estas. Seria uma espécie de “Egoísmo Caridoso”.
Ainda é possível questionar “ Mas por que eu me importo com ele? Isto naturalmente não é altruísta?”. Pois é, não. Por que gostamos de nossos amigos? Porque eles nos proporcionam bons momentos, companhia, conselhos. Gostamos de nossos amigos porque eles nos fazem bem, não porque somos altruístas.
Outra linha possível é “ E porque alguns ajudam pessoas que não conhecem?”. Esta já é algo mais difícil, acho, para essa teoria rebater. Mesmo assim, quando isso acontece, também deve-se ao fato de que a necessidade de ajuda daquela pessoa nos incomoda. Agora, por que incomoda? As respostas aqui são várias, como sentido de humanidade( o que nem todos têm), altruísmo, impulso. Sustentando a teoria, pode-se dizer que a criação da pessoa tem grande influência nisso. Dependendo de quais valores foram-lhe transmitidos, a pessoa sentiria necessidade de ajudar quem está precisando. Não necessariamente por altruísmo, mas porque se sentiria mal, pois estaria indo contra princípios há muito estabelecidos no seu caráter. Destarte, novamente é egoísmo.
Enfim, é muito difícil agir de forma positivista em relação ao ser humano. Buscar padronizar um ente tão diversificado em si mesmo, tão volúvel, tão influenciável, em tipos físicos estritos, é tarefa virtualmente impossível, senão um erro. Não garanto ser essa teoria uma base sólida de estudo. Contudo, não consigo negá-la de todo. E mesmo assim, algo já me vale. Não preciso, nem eu nem você, ser perfeito, altruísta. Me contento em ajudar por reflexo, por necessidade própria e egoísta. É suficiente. Pior seria não ter esse “egoísmo”.
E você? Está contente?
PS: Créditos ao Sr. Roberto "Fuscão" Scolamieri pela teoria. Não sei se ele que a criou, mas ele que me mostrou.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
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